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Marketing Digital de Conteúdo: uma breve reflexão

Saiba como escolher o caminho mais adequado para o seu negócio no mundo digital

Julio de Oliveira por Julio de Oliveira

Foto: Shutterstock

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PUBLICADO
em 18 OUT 2019

ATUALIZADO
em 23 OUT 2019

Vou começar com uma pergunta: você sabe quanto tempo o brasileiro gasta diariamente nas mídias sociais? Em média, são 225 minutos, de acordo com a pesquisa GlobalWebIndex. Isso dá quase 4 horas a cada dia!

É muito tempo, mas a pergunta que não quer calar é: O que essas pessoas fazem em todo este tempo on-line? Bom, a resposta é múltipla, porque elas seguem vários caminhos – leem, ouvem músicas ou podcasts, veem vídeos, brincam, estudam, enfim... Procuram conteúdos em suas zonas de interesse ou algum outro conteúdo que tenha entrado no seu radar naquele momento do dia ou da sua vida.

E qual é a importância disso? Eu respondo com outra pergunta: Com tanta gente on-line todo esse tempo, o que você está fazendo para tentar se relacionar com elas? Percebe a oportunidade?

Você não precisa me responder. Estatisticamente, a chance de você estar fazendo o que a maioria está fazendo é grande: postando sem muita estratégia. E olha que, mesmo assim, dá pra ter muitos resultados. O MKT Digital é uma ferramenta incrível até por isso.

Mas o que me chama a atenção é como muitas companhias ainda trabalham sem estratégia definida para criar e estabelecer estratégias de MKT Digital. Ou seja, empirismo sem experiência e conhecimento. Incrível, mas é isso que encontro em boa parte do meu dia a dia em contato com esse público. Essa é a minha experiência, e olha que o universo de pessoas com quem me relaciono não é pequeno. Estou, uma boa parte do meu tempo hoje, conhecendo clientes em potencial.

Mais do que uma crítica, isso é uma constatação que fiz de que o modelo de negócio criado lá na era industrial – e presente até hoje – não tem ajudado muito na revolução do MKT Digital que se iniciou neste século, especialmente aquele baseado em conteúdos para se relacionar com potenciais clientes.

Digo isso porque, na minha visão, o relacionamento digital ativo mexe diretamente na necessidade de maior velocidade de resposta, na hierarquia e na construção do próprio organograma organizacional.

Mas isso quer dizer que conhecer, especificar, entender e acompanhar a jornada de compra dos clientes pode mudar o organograma de uma empresa? Não só pode, como acho que isso vai acontecer na maioria das empresas em poucos anos. Nomear um gestor de digital como a peça mais importante de uma organização, ou pelo menos uma das mais importantes, será fundamental. E esse novo personagem estará mais ligado a MKT ou vendas? Na minha visão, não existirá mais essa diferença. As duas áreas vão ter de trabalhar juntas, como se fossem uma e quem vai definir os caminhos é a área de vendas, que é quem tem o pulso do mercado (e dos clientes) em base diária.

Uma coisa é clara: sem um acompanhamento interno sólido, nada será consistente em uma organização. Não dá para só terceirizar. Mas também não é realista criar uma área interna para se obter resultados em digital. Então, o que fazer?

Bom, cada empresa terá seu próprio caminho para traçar, mas, para 90% desse mercado, contar com agências externas será o caminho mais sensato, por vários motivos. A começar pela experiência de mercado. Para montar uma equipe consistente, o investimento é alto e é necessário passar por múltiplas experiências para conhecer cada vez melhor o mercado. Isso não é realista para mais de 90% do mercado. E mesmo as grandes empresas, em que montar áreas internas de digital faz todo sentido, terão que, quase obrigatoriamente, contar com apoio e ajuda externa.

Parece um paradoxo, se voltarmos para a questão do que chamei de “acompanhamento interno sólido”, não? Mas é aí que a estrutura da sua empresa com um gestor de digital vai entrar. E essa pessoa pode ser formada no dia a dia do trabalho com a agência, mergulhando em know-how puro pra aprender.

Vamos voltar um pouquinho num ponto importante: o modelo de negócio atual pode ajudar ou atrapalhar essa verdadeira revolução (se é que possamos chamar de atual um modelo de negócios que vem do século XIX, o modelo Tayloriano, que está aí até hoje – e não à toa, claro)? A minha resposta honesta é: “Não sei”. Porque ainda está em aberto a maneira pela qual esse modelo de negócio tão tradicional vai absorver o MKT Digital nas organizações, diante do seu poder de transformar estruturas empresariais.

De todo jeito, essas empresas precisam se adaptar a isso, e rápido. Vou dar um pequeno exemplo de como vejo esse problema.

Imagine uma Samsung, especificamente a área de TVs. Quem distribui (vende) as TVs? Casas Bahia, Magazine Luiza, Fast Shop e por aí vai ... Imagine agora a Samsung construindo uma base de relacionamento digital com leads de forma a levá-los à compra de uma TV Samsung. Legal, né? Mas este lead chega no ponto de venda (Casas Bahia, Magazine Luiza, etc.) e tem uma promoção para uma TV similar e o vendedor acaba fechando negócio com o lead para a compra de uma TV LG. Na prática, a Samsung investiu em digital para converter um lead para sua concorrência direta, tudo porque seu produto é vendido em um market place.

Esse é um exemplo (muito real) que não sai da minha cabeça. Tentei conversar sobre isso com alguns pesos-pesados da área e ainda não tive sucesso, mas aposto que não devem acreditar no MKT Digital.

Agora imagine o gerente de produto da Samsung em uma reunião de diretoria falando que precisam mudar seu modelo de vendas...

Isso é impensável, para mim. Claro, talvez esteja enganado e talvez minha santa ignorância não esteja vendo coisas óbvias desse segmento. Até porque essa é uma área do conhecimento que ainda está em construção, e posso não estar vendo sob a ótica mais correta, mas como a verdade não está estabelecida, vale a pena testá-la, não? Porque, no mínimo, é uma boa frente de investigação, eu acho. E quando eu me deparo com o desafio dessa tese, vejo quanto o modelo Tayloriano tem a ver com isso. Mas essa é uma outra conversa...

Enfim, termino esta breve reflexão reforçando que o MKT Digital estruturado em conteúdos de relacionamento ativo com prospects, clientes e leads pode transformar, desde uma lojinha de bairro, até grandes organizações. E você precisará de parceiros nessa caminhada! Escolher quem eles serão e definir a visão que quer colocar em prática na sua empresa será o seu primeiro e grande desafio. Pense nisso.